O Primeiro Romântico

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Na relação, o ciúme mais poderoso decorre da lealdade aos amigos

Universa

09/02/2018 05h00

Os amigos podem comparar o novo par com os antigos e definir quem é o melhor (Getty Images)

O maior ciúme dentro da relação vem das amizades do casal.

Não é por um elemento externo, novo, surpreendente, capaz de ameaçar o romance e despertar a infidelidade.

O ciúme mais poderoso decorre da lealdade. Dos amigos que cada um tem.

Você não aguenta a possibilidade de alguém de fora saber mais de quem você ama, conhecer melhor quem você ama. Vê-se corneado pelas camaradagens, risadas e piadas internas. É a sombra das experiências que atrapalha. Afinal, os amigos são os únicos que podem comparar o novo par com os antigos e definir quem é o melhor. Eles possuem o domínio do passado e do presente –enquanto você apenas conhece o presente.

Odeia a possibilidade de julgamento e se mobiliza ou para transformá-los em aliados ou para combatê-los como terríveis inimigos.

Não faz por mal, mas acaba fazendo o mal.

O primeiro impulso é neutralizar os jurados do amor, roubar os álibis do namorado ou namorada, para garantir a supremacia e controle sobre a situação. Busca se aproximar, agradar e bajular para se converter em fonte confiável e desfrutar de acesso às mesmas informações. É a época de presentes e da lua-de-mel da socialização com almoços, jantares, bares e baladas.

Quando não dá certo, afinal a intimidade da amizade não tem como ser violada e não descobrirá o que falam entre si, tenta destruir reputações e tirar a credibilidade dos mais próximos. Passa a criticar as saídas, os encontros do esporte e as visitas fora de hora. Inventa fofocas para eliminar os rivais e reduzir a frequência dos laços.

Seu objetivo involuntário é ser mais amigo do que os amigos e evitar a concorrência.

Como você ama excessivamente, deseja ter o seu parceiro somente para si e não repartir com os demais.

Portanto, não é o sexo fora do relacionamento que preocupa, porém as confidências. O corpo não é o objeto das discussões, e sim o destino do coração.

O ser amoroso é um bicho estranho. Ele sente ciúme do que está sendo repassado adiante. Angustia-se com as aparências e as versões construídas nas conversas paralelas. Quer censurar, restringir, boicotar o repasse dos segredos. Compra briga com os conselheiros do outro para se manter como sócio majoritário nas decisões da vida.

Os melhores amigos, coitados!, são os que mais apanham no início de um namoro. Natural que sejam investigados e sabatinados até o casamento, quando são convidados a serem padrinhos por merecimento a tamanha neurose.

Sobre o autor

Fabrício Carpinejar é escritor e jornalista. Enquanto muitos se elegem como último romântico, ele se declara como o primeiro. Afinal, faz tempo que se prontificou a entender o amor em suas crônicas e poesias. Aqui você tem sua versão escrita, mas você pode conferir a sua versão falada em vídeos no YouTube: http://bit.ly/2sAu6xB

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